terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

The Industrial Revolution (And How It Ruined My Life)

Letra:
Once, long ago there was a time in what now seems a distant land
Each small boutique was precious and unique
'Cause every little thing was made by hand
Then there came a revolution
The progress of production was its aim
Now instead of one, there were many
And each costs just a penny
But every single one looks just the same

Now there's a Starbucks on every bloody corner
McDonald's on everybody's street
There's a White Castle, Wendy's and Walmart
And then it all repeats
If you're the kind that looks down on the masses
Even for you there's a feint
Get some New Rocks or a pair of Docs
Look just like those who ain't

(Chorus)
And that is how (Tell us how)
It came to be (How can it be?)
After two long centuries
That in the name (What's in a name?)
Of human greed
The industrial revolution fixed everything for me
(Everyone) (For every bloody one)
It came into our lives and gave us uniformity by taking choice away from you (and me) 
(By taking choice away from you. Taking choice away from me. Taking choice away from you and me)

And so now if one does will with a business
They open two more and then three
They buy in bulk in big massive hulks
At which points it's nearly free
As they grow bigger their prices get lower
Until they become a chain
The smaller stores all shut their doors and buckle 'neath the strain

(Chorus)
And that is how (Tell us how)
It came to be (How can it be?)
After two long centuries
That in the name (What's in a name?)
Of human greed
The industrial revolution fixed everything for me
(Everyone) (For every bloody one)
It came into our lives and gave us uniformity by taking choice away from you (and me) 
(By taking choice away from you. Taking choice away from me. Taking choice away from you and me)

Now the machines are working tirelessly
Through all night and day
Making garbage in our image
For a world that's made our way
And they won't stop until every inch
From Peru to Bombay
Looks like a mall in the US of A

More lyrics: http://www.lyricsmania.com/the_industrial_revolution_and_how_it_ruined_my_life_lyrics_voltaire.html
All about Voltaire: http://www.musictory.com/music/Voltaire



Tomás Pereira

domingo, 12 de dezembro de 2010

Resumo do Capítulo XXIV (Memorial do Convento)

   Blimunda esperava ansiosamente Baltasar, e, por desespero, foi à sua procura. No seu caminho pelos montes encontrou um frade que a persuadiu a passar a noite numas ruínas próximas ao convento. O frade tentou violar Blimunda, mas ela espetou um espigão entre as costelas do frade. Mais desesperada que antes, Blimunda regressa a casa passadas duas noites sem dormir convenientemente.
   O capítulo termina com o rei que, festejando o seu quadragésimo primeiro aniversário, foi consagrar o monumento a Mafra com o resto do seu cortejo, constituído por personalidades de alta importância do clero.

Tomás Pereira

sábado, 4 de dezembro de 2010

Antropofagias

Texto 6

Não se esqueçam de uma energia bruta e de uma certa/
maneira delicada de colocá-la no «espaço»/
ponham-na a andar a correr a saber/
sobre linhas curvas e linhas rectas «fulminantes»/
ponham-na sobre patins com o stique e a bola como/
«ponto de referência» ou como «pretexto espaço-tempo»/
para aplicação da «dança»/
experimentem uma ou duas vezes ou três reter determinada/
«imagem» e metam-na «para dentro» assim imóvel/
e fiquem parados «aí» com a imagem parada talvez brilhando/
é qualquer coisa como uma sagrada suspensão/
e abrindo os olhos então o jogo retoma a imagem/
que entretanto ficou incrustada no escuro a brilhar sempre/
e dela «parece» que o movimento parte de novo/
é uma «linguagem» e energia e delicadeza atravessam o ar/
espectáculo do «verbo primeiro e último» apanhem a figura «absoluta»/
do pé esquerdo o patim refulge a mão direita «prolonga-se»/
vamos achar bem que o stique seja a «respiração»/
extrema e extensa/
a bola põe-se a «caligrafar» todo um sistema de planos/
intensos leves/
«metáfora» decerto minuto a minuto destruída pela pergunta/
«que jogo é este para o entendimento dos olhos?»/
a resposta «alegria» tudo esgota/
mas só um sentimento de urgência corporal dá ao jogo/
uma «necessária dimensão»/
«o jogo respira?» perguntam  e diz-se «que respira»/
«então deixem-no lá viver» como se se tratasse de/
«uma criatura»/
podemos confundir «isto» com «acertar»?/
o jogo apenas acerta consigo mesmo e este acerto é o próprio/
«jogo»/
nele ressaltam só qualidades de acção força delicadeza/
envolvimento em si mesmo/
e o prazer de maquinar o universo numa restrita/
organização de linhas vividas em «imanência»/
de imagem em imagem se transfere o corpo/
sempre à beira de «ser» e parando e continuando/
e ainda «apagando e recomeçando» como se continuamente/
bebesse de si e tivesse o ar pequeno para demonstrar/
a grandeza de si a si mesmo/
«referido a quê senão ao absurdo de um espelho?»/
«a enviar-se» cerradamente entre os seus limites/
zona frequentada pela «ausência viva»/
destreza porque sim forma porque sim aplicação porque sim/
de tudo em tudo/
de nada em nada pelo gozo «básico» de «estar a ser» 

Herberto Helder, Antropofagias

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Conselho

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.

Faze canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim com lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.
 
Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és -
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...
 
Fernando Pessoa

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Hermes


Hermes

«O gesto era branco, o sorriso era como era, a voz era igual, lançada num tom de quem não procura senão dizer o que está dizendo - nem alta nem baixa, clara, livre de intenções, de hesitações, de timidezas. O olhar azul não sabia deixar de fitar. Se a nossa observação estranhava qualquer cousa, encontrava-a: a testa, sem ser alta, era poderosamente branca. Repito: era pela sua brancura, que parecia maior que a da cara pálida, que tinha majestade. As mãos um pouco delgadas, mas não muito; a palma era larga. A expressão da boca, a última cousa em que se reparava - como se falar fôsse, para este homem, menos que existir -, era a de um sorriso como o que se atribui em verso ás cousas inanimadas belas, só porque nos agradam - flôres, campos largos, aguas com sol -, um sorriso de existir, e não de nos falar.»

Álvaro de Campos, "Notas para a Recordação do Meu Mestre Caeiro" 


Resposta ao "Conselho"

(escrito durante a aula)

Gostava que entrasses pelo portão, de rompante
Fechadura de duas chaves
Uma é minha.

As flores não falam
O sol cega-te e hoje não há luar
Para quebrar a rotina.

Pensas que sabes o que de melhor tenho
Sabendo eu que não o sabes
Tomara que soubesses
Tomara que o faças
Entra. Não saias mais.
Agora também é teu.
O melhor de mim.

Ana Olímpio, nº1, 12ºD